quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Dilúvio

Dilúvio






há três dias
sete horas
nove minutos
e onze segundos


minhas heterôminas
estão em assembleia
pauta única:
o que ocorrer


nada será deliberado
admiro a organização
de Pessoa.


Daniela Galdino

terça-feira, 9 de dezembro de 2014



A gente costuma a se agarrar às coisas que, no fundo, sempre soubemos que nunca foram nossas.

Mini-drops: Só pode ser sacanagem da vida.

Tava vendo as postagens e textos de pessoas dizendo sobre como foi o ano delas de 2014 e seus desejos para 2015.
To dando graças a Deus que esse ano tá acabando. Só serviu pra trazer sofrimento.
A gente até tenta ser otimista, mas tem horas que não dá...



som & fúria

Ela devia morrer um dia. 

Haveria um tempo para essa palavra. 
Amanhã... e amanhã... e amanhã... 
Deslizam nesse pobre desenrolar
de dia a dia
até a última sílaba do registro dos tempos
e todos os nossos ontens iluminaram para os tolos 
o caminho até o pó da morte.
Apaga-te... apaga-te breve vela!
A vida nada mais é que uma sombra que anda...
um pobre ator que se pavoneia e se agita durante sua hora no palco e depois não é mais ouvido.
É uma estória contada por um idiota
cheia de som e fúria que nada significa. 
Nada!
- William Shakespeare

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Flores.



Outro jovem se suicidou na universidade onde eu estudo. O segundo desse ano e creio que o segundo de mais alguns que virão...
Não ignoro a dor das pessoas que estão sofrendo com a perda dele e até me sensibilizo. Mas isso me parece tão egoísta no fim das contas. Por que ele deveria continuar a viver se dentro dele, ele sentia que não deveria? Quem somos nós para impor a vida a alguém? Será que não foi melhor que ele tem terminado sua própria agonia do que viver como um morto-vivo? Não conhecia o rapaz, mas, de repente, me sinto extremamente íntimo dele. A morte tem dessas coisas, né? Apesar de não saber o motivo que o levou a se matar, eu me reconheci na sua dor. No ato extremo de chegar ao extremo. 
Isso me levou a refletir sobre outra coisa também: a gente se acostuma a render homenagens apenas quando perdemos as pessoas. 
Estranho isso, não? 
São tantos os apelos silenciosos  que as pessoas dão todos os dias e ninguém percebe? Por que então somente dar rosas depois que o corpo já não tem mais vida? Por que não se preocupar, dizer um "te amo", um abraço quem sabe, quando o corpo ainda tem vida? 
Eu posso está parecendo um tanto frio nesse caso e não quero que assim pareça. Só quero deixar aqui a reflexão: como estamos cuidando de quem amamos?