sexta-feira, 23 de maio de 2014

Fernandiando a vida: Em reformas.

Agora um poema:
 
"Poema em Linha Reta"
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)
 
 
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.




domingo, 18 de maio de 2014

"Esse é o dia que eu pararei de falar de amor porque ele não existe."

O que está acontecendo com as pessoas, hein?
Cada dia que passa, perco a fé e a vontade do ser humano. Sinto-me tão decepcionado e triste pela realidade ser tão feia. Posso parecer uma pessoa ingênua, e de fato sou, por acreditar nessas coisas e até mesmo, perder tempo escrevendo isso na internet. Sinto-me cada dia mais fora de lugar, sem conexão com a chamada "modernidade" (ou pós-modernidade). Cada dia mais, meu pobre coração é surrado por acreditar em um tipo de amor que não existe mais. Um amor romanceado, caetaniado, shakespeariano, de entrega e respeito...
A ideia de "ninguém é de ninguém" é cada vez mais comum e massificada e eu me pergunto: qual o problema mesmo de querer somente uma pessoa ou ser somente de uma pessoa, cara?
Os que defendem o modelo poliamorista defendem que relações monogâmicas causam uma perda de liberdade... mas será mesmo? Será mesmo que a liberdade está atrelada a parte sexual? Está mesmo atrelada à conhecer fisicamente outras pessoas? Ou será que nos tempos atuais não há mais nada sólido?
Não quer se apegar a ninguém fica solteiro oras...
Onde foi mesmo que perdemos o valor das coisas?
E ao mesmo tempo que eu vejo essa onda poliamorista levando tudo, vejo pessoas cada vez mais infelizes e incompletas em suas relações. Volto a perguntar: onde foi mesmo que perdemos o valor das coisas?
Acho que sou uma alma anacrônica.
Acho que vou optar pelo celibato.
E Marcelo Camelo: eu sou mais sentimental que você.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sobre a sapiência do meu primo & a tecnologia

Da tecnologia:
Ana Paula: "Ai quando a gente vai na casa da tia dele ele pede pra baixar jogo. Eu falei só uma vez pra ele que só podia gratuito e ele 'é aquele com g, mãe?' Só precisei dizer uma vez... (risos) Agora ele sai baixando tudo que é jogo, tira foto, grava vídeo. Pelo menos o tablet para ele"

Da sapiência do meu primo:
Tô ficando velho mesmo.

Mini-drops: Presente.

Durante muito tempo na minha vida, eu passei vivendo mais o futuro que o próprio presente.
Talvez por minha criação e a eterna pressão para me formar, ganhar dinheiro e ter estabilidade...
Acho que isso atrapalhou muito minha vida e perdi parte importante da vida: o presente.

Mudei.
Hora de viver o presente.
Que seja certo, que dê errado, que dê.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Mini-drops: Explicação

Quem acompanha meu blog, deve ter percebido que eu to com um projeto novo pro blog chamado "mini-drops". São postagens menores contendo todo mimimi que normalmente eu posto em texto enormes que ngm dá muita bola. Tô postando assim por alguns motivoa:
- aliviar certas dores
- não deixar o blog parado
- exercitar meu lado de escritor novamente.

Em breve, estaremos normalizando a programação.

Mini-drops: Love Is a Suicide

Tenho que aprender não me apegar tanto às pessoas. Toda vez que elas se vão, parte de mim morre junto.
Um suicídio.

Mini-drops: Give Me What You Like

Já dizia minha avó: "Macaco nunca olha pro rabo, só olha pros dos outros".
Muito fácil reconhecer o erro e os defeitos dos outros, mas assumir os seus próprio ninguém quer...
A vida é uma ironia sem tamanho.