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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

eram cinco pretinhos

No última sábado (28/11), policiais militares (do 41º BPM - Rio de Janeiro) fuzilaram o carro de cinco jovens negros que voltavam do Parque de Madureira no Morro da Lagartixa.
Acusação? Nenhuma cabível.
Apenas ratificaram que  dois dos cinco jovens têm passagem pela polícia: uma anotação criminal por tráfico e uma por furto.
Eram cinco pretinhos.
Cinco sonhos.
Cinco vidas interrompidas.
Fuzilados!
Como animais!
Fuzilados como na guerra!
Nessa guerra que o inimigo é só um: quem tem pele escura.
3 g de maconha no bolso: TRAFICANTE LADRÃO BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO
1 tonelada de cocaína em helicóptero de senador: "deve ter havido um engano"; varrido pra debaixo do tapete.

E assim segue a matança. 
Assim segue a agenda genocida do Estado.
Assim segue segue a criminalização do pobre nesse sistema imundo capitalista.
Assim segue essa política de insegurança pública.
Assim segue polícia que só protege a si mesma e o patrimônio do estado.
Se liga, você, irmã preta, irmão preto, os gambé não vem só pros maconheiro, pros "metido com coisa errada não".
NÃO SE ENGANE!
REAJA!
É tempo de insurgir contra essa política de matança!
REAJA!

"Vai vendo sem custódio
Aguarde cenas no próximo episódio
Cês diz que nosso pau é grande
Espera até ver nosso ódio
Por mais que você corra irmão

Pra sua guerra vão nem se lixar
Esse é o xis da questão
Já viu eles chorar pela cor do orixá?
E os camburão o que são?
Negreiros a retraficar
Favela ainda é senzala jão
Bomba relógio prestes a estourar"


Ògún vai na frente. 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Pensamentos Paralelos: Do racismo

Texto escrito pelo lindo do Ademário Costa e vale super a pena ler.


Guia prático para brancos saberem se estão sendo racistas.

O que me motiva a escrever novamente é a reação das pessoas que se sentiram ofendidas com o titulo do texto “Só podiam ser brancos e ricos”. Atribuindo ao mesmo um conteúdo racista. 

Este tipo de reação é fruto da forma em que se estrutura o racismo na sociedade brasileira. No Brasil a cor da pele e os traços físicos, constituem componentes determinantes do posicionamento econômico e social dos indivíduos. A naturalidade com que se associa a condição de ser branco com o consequente sucesso profissional, melhor renda e localização social, exime esta parte da população de se envergonhar de sua condição de maioria ideológica, social, política e econômica mesmo sendo minoria populacional.

Do outro lado da moeda os negros são maioria em todas as situações de vulnerabilidade social, nas prisões, nas favelas, na exposição ao crime, entre os que estão fora da escola, mesmo nos estados do Sul, em que somos minoria populacional, estamos super representados entre os mais pobres.
Apesar da naturalização desta situação ela só foi possível graças à política oficial de favorecimento da população branca através de políticas de estado. Isto se chama racismo institucional.

Através da Bula “Dum Diversas” o Papa Nicolau, autoriza o rei de Portugal colocar indígenas e africanos no trabalho escravo. Poder este que foi estendido em 1554 ao rei da Espanha; Um decreto lei complementar à constituição de 1824, proibiu a comunidade negra de frequentar a escola, qualquer escola; A lei de terras (1850/ nº601) determinava que as terras só pudessem ser obtidas através de compra. Enquanto isso, o exercito foi encarregado de combater os quilombos e os imigrantes europeus receberam terras, dinheiros e sementes.

A guerra do Paraguai foi usada para exterminar um milhão de negros; A Lei do ventre livre determinava que as crianças nascidas de pais escravizados fossem separadas de suas famílias surgindo a primeira legião de menores abandonados; A lei dos sexagenários desobrigou os senhores de cuidarem dos trabalhadores escravizados ao ficarem velhos e doentes.

Em 28 de junho de 1890 um decreto lei reabriu a política de imigração, direcionada a população europeia e impediu a entrada de africanos e asiáticos. O objetivo foi de utilizar a mão de obra branca e europeia para ocupar os principais postos de trabalho na nascente indústria paulista, impedindo que a população negra ocupasse estes postos e se tornasse uma poderosa classe média. Pobres brancos foram utilizados para marginalizar os negros.

Estas leis são parte da construção histórica que naturalizou a atribuição de características negativas a comunidade negra, e nos fizeram achar normal o posicionamento de brancos nos melhores espaços. Assim, o texto anterior rompe com o pacto de silencio sobre o tema, fazendo um setor, da sociedade, experimentar uma caracterização com a qual não estão acostumados.

Desprovidos do poder no Brasil, não podemos ser acusados de racistas quando identificamos que o preenchimento das “áreas vips” através de critérios negociais, de proximidade social e de classe, culmina com uma hiper representação da população branca em todos os espaços de poder, bem distante do que realmente representam no conjunto populacional do país.

Mas se apesar disso tudo você acha que sua condição social, econômica ou política se deu única e exclusivamente pelos seus méritos pessoais, não apoia as políticas de reparação ou acha que elas são apenas favores do Estado. Se foi contra o PROUNI, cotas raciais para ingresso nas universidades e no serviço público, bolsa família, mais médicos, elevação do salário mínimo, direitos das domésticas. Se não está disposto a abrir mãos de seus privilégios e reconhecer as vantagens comparativas inerentes a sua cor de pele. Então não tem jeito, gire sua bússola, ou vai continuar sendo racista.

Ademário Sousa Costa. Cientista Social.