sexta-feira, 7 de novembro de 2014

The Heart Wants What It Wants

Então, cá estou eu sofrendo com música da Selena Gomez.
Sim. Selena Gomez.
Mas assim: muito sofrida e bem produzida essa música. A cabeçuda tá amadurecendo o som. Tão amadurecida quanto uma cantora pop pode ser rs

Mas pra quem era feiticeira da Disney...



Enjoy.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Isso é pra viver momentos únicos. (Otto)


"Isso é pra morrer
6 minutos
Instantes acabam a eternidade
Isso é pra viver
Momentos únicos
Bem junto na cama de um quarto de hotel"


Até pra morrer, você precisa existir. 

Concerto Para Corpo e Alma, Rubem Alves










Quem sou eu?
Sei que eu sou muitos. Quem me ensinou isso foi um Demônio velho, o mesmo que ensinou psicologia a Jesus. Quando Jesus lhe perguntou “Qual é o teu nome?”, ele respondeu, numa mistura de verdade e gozação: “Meu nome é Legião porque somos.” Coisa maluca: o “eu”, singular na gramática, é plural na psicologia.
Eu sou muitos. Tem-se a impressão de que se trata da mesma pessoa porque o corpo é o mesmo. De fato o corpo é o mesmo. Mas os “eus” que moram nele são muitos.
Sabemos que são muitos por causa da música que cada um toca. A letra não importa. Pode até ser que a letra seja a mesma. O que faz a diferença é a música. Cada “eu” toca uma música diferente: oboé, violino, tímpano, prato, trombone. Juntos poderiam forma uma orquestra. Não formam. Cada “eu” toca o que lhe dá na telha. Como no filme Ensaio de Orquestra. Esqueci-me do nome do diretor: terá sido Fellini? Merece ser visto.
Por vezes os “eus” se odeiam. Muitos suicídios poderiam ser explicados como assassinatos: um “eu” não gosta da música do outro e o mata. Foi o caso de um meu primo. Quando tínhamos sete anos de idade e brincávamos de soldadinhos de chumbo, ele já estava fazendo um dicionário comparativo de quatro línguas: português, inglês, francês e alemão. Quando tirava 98 na prova ele batia com a mão na testa e dizia, arrasado: “Fracassei”. O “eu” que batia na testa era o “eu” que não suportava não ser perfeito. O “eu” que levava o tapa na testa era o eu que não havia conseguido tirar 100 na prova. Um dia o primeiro “eu” se cansou de dar tapas na testa do segundo “eu”. Adotou uma medida definitiva. Obrigou-o a lançar-se pela janela do 17° andar.
O português correto diz: “Eu sou”. Sujeito singular; verbo no singular. Mas quem aprendeu com Sócrates, quem se conhece a si mesmo, sabe que a alma não coincide com a gramática. A alma diz: “Eu somos”. E diz bem. Pergunto-me: “Qual dos muitos ‘eus’ eu sou?”
Albert Camus declara, no seu livro O homem em revolta, que o homem é o único ser que se recusa a ser o que ele é. Essa afirmação encontra uma ilustração perfeita num incidente banal, descrito por Barthes no seu livro A câmara clara.
A partir do momento em que me sinto olhado pela objetiva da câmara fotográfica, tudo muda: ponho-me a “posar”, fabrico-me instantaneamente um outro corpo, metamorfoseando-me antecipadamente em imagem.
Olho para a foto. Sofro. O fotógrafo me pegou distraído. Não saí bem. Não me reconheço naquela imagem. Sou muito mais bonito. Sofro mais ainda quando os amigos confirmam: “Como você saiu bem!” O que eles disseram é que sou daquele jeito mesmo. Não posso reclamar do fotógrafo. Reclamo do meu próprio corpo. Recuso-me a ser daquele jeito. É preciso ficar atento. Que não me fotografem desprevenido. Se me perceber sendo fotografado, farei pose. A pose é o sutil movimento que faço com o corpo no intuito de fazê-lo coincidir com a escorregadia imagem que amo e que me escapa. A imagem que amo está fora do corpo. Recuso-me a ser a minha imagem desprevenida. É preciso o movimento da pose para coincidir com ela. Quero ser uma imagem bela.
O mito de Narciso conta a verdade sobre os homens. Narciso aceitou morrer para não se separar da bela imagem sua. Aquele que, como Narciso, vive a coincidência da imagem real com a imagem amada não precisa fazer pose. Está pronto para morrer. A morte eternaliza a imagem.
Dizem os religiosos que a existência humana se justifica moralmente. Deus deseja que sejamos bons. Discordo. A existência humana se justifica esteticamente. Somos destinados à beleza. Deus, Criador, buscou em primeiro lugar a beleza. O Paraíso é a consumação da beleza. Deus olhava para o jardim e se alegrava: era belo! No Paraíso não havia ética ou moral. Só havia estética. Os santos que a Igreja canonizou por causa da sua bondade eram movidos pelo desejo de que, por sua bondade, Deus os achasse belos. A beleza gera a bondade. Quando nos sentimos feios somos possuídos pela inveja e por desejos de vingança. Invejosos e vingadores são pessoas que sofrem por se sentirem feias.
Beleza não é coisa física. Não pode ser fotografada. É a música que sai do corpo. Nisso somos iguais aos poemas. Um poema, segundo Fernando Pessoa, são palavras por cujos interstícios se ouve uma melodia tão bela que faz chorar. A beleza do poema não se encontra naquilo que ele é mas, precisamente, naquilo que ele não é: o não-dito onde a música nasce.
De todos os “eus”, qual deles eu sou? Eu sou o rosto belo. É esse que eu amo – precisamente o que escorrega e tento capturá-lo na pose! Porque esse é o “eu” que eu amo, esse é o “eu” que o meu amor elege como meu verdadeiro “eu”. Os outros “eus” são intrusos, demônios que me habitam e que também dizem “eu” E ainda há quem duvide da existência dos demônios! Como duvidar? Se eles moram em mim, se apossam do meu corpo e me fazem feio – mau! Se, nos momentos em que se apossam do meu rosto, eu visse minha imagem refletida num espelho, talvez morresse de horror ou quebrasse o espelho.
(...)
Brigas de casais são exercícios de memória. Dizem que estão brigando por isso ou por aquilo. Mentira. Brigam sempre pelos rastos. Invocam os rastos, aquilo que fui ontem para destruir o belo rosto que amo. Não adianta que hoje eu seja uma ave. “Você me diz que é uma ave? Mas esses rastos me dizem que ontem você foi um macaco… Sua pose não me engana…”
Perdoar é esquecer. Deus é esquecimento. Quando ele perdoa os rastos desaparecem. Perdoar é apagar da memória o rasto/rosto deformado de ontem.
Aprecio a tua presença só com os olhos.
Vale mais a pena ver uma coisa sempre pela primeira vez que conhecê-la,
Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez,
E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar.
“Te conheço…” – diz um para o outro. “Minha memória diz quem tu és. Te conheço – nunca te verei pela primeira vez. Teu rosto, eu o conheço como a soma dos teus rastos…” Aqui termina uma estória de amor porque o amor só sobrevive onde há o perdão do esquecimento.
Somos Narciso. Estamos à procura de olhos nos quais nossa imagem bela apareça refletida. Queremos ser belos. Se formos belos, seremos bons.
Concerto Para Corpo e Alma, Rubem Alves

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O amor e o medo são pontas de facas.


O que dirá o mundo sobre as cidades?
Eu até estarei, reconheço a cidade
Em cada rua uma dor
Em cada dor, desabafo
Em cada corpo que eu acho eu trafego comigo
Eu lhe peço um abrigo
Eu divido contigo minha angústia e o meu pão
Eu divido contigo minha angústia e o meu pão
Buraco negro, elevadores, ela não sabe
Não há mais vagas
Olha as raízes dos postes de luz
E a concretagem das novas colunas
Becos e praças são feitos para as desgraças
O amor e o medo são pontas de facas
Mas não espere, não, pegue na contramão
E vai juntando as vidas perdidas
Mas não demore, não, pegue na contramão
E toque as filhas perdidas, perdidas
As filhas, as filhas
Onde começa, ela não sabe
O sol da laje, lembro do mar
Levantamento das quadras armadas
Quero você para sempre esta noite
Becos e praças são feitos para as desgraças
O amor e o medo são pontas de facas

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

estar sozinho


quando você pensa em quantas vezes
tudo dá errado
você começa a olhar para as paredes
e permanece lá dentro
porque as ruas são o
mesmo filme antigo
e todos os heróis acabam como
o velho herói do filme:
bunda gorda, cara gorda e o cérebro
de um lagarto.

não é de admirar que
um homem sábio irá
escalar uma montanha de 10.000 pés
e sentar-se lá esperando
e vivendo de baga de arbusto
em vez de apostar em duas covinhas dos joelhos
que certamente não vão durar a vida inteira
e 2 em cada 3 vezes
não sobreviverá por uma noite.
montanhas são difíceis de escalar.
as paredes são suas amigas.
conheça suas paredes.
o que eles nos deram lá fora
é algo que mesmo as crianças
se cansaram.
Permaneça com suas paredes.
elas são o amor mais verdadeiro.
construa onde ninguém constrói.
é o último caminho que resta.




You Get So Alone At Times That It Just Makes Sense, Bukowski

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Terapia (Ou Aprendendo a Saltar Muros)

Engraçado como psicólogo é bicho místico... Tava refletindo aqui com meus botões depois da última sessão que eu fiz essa quinta-feira passada.
Ah sim, eu tô frequentando psicólogo. Alguns traumas e dramas, por menores que pareçam, podem desestabilizar uma pessoa (como me desestabilizou).

Mas como eu dizia, o psicólogo traz esse mistério em si. Se for psicanalista então... Se senta, te cumprimenta, oferece água, sorri. Um sorriso que não diz nem sim nem não. Um sorriso que parece conhecer todos os mistérios da alma, pronto para desnudar os meus.
E a Gabriela tem conseguido, viu.
Gabriela é o nome da psicóloga, muito boa ela.

Muros, é disso que se trata.
São eles que eu tenho que pular - tanto os externos quanto os internos.
Voa, passarinho, voa pra longe desse sofrimento.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Entre meus inimigos, um beija-flor.


Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarzinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor (nunca)
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor.

- Agenor Miranda (Cazuza)